CORREIO RURAL

Governo dá um ano para avicultor adotar medidas contra gripe aviária

22 FEV 2017 Por FOLHAPRESS 15h:06

Em uma medida para tentar evitar que a produção brasileira seja afetada pela gripe aviária, que afeta 45 países até então, o Ministério da Agricultura tornará mais rígidas as regras para manter granjas de frangos.

Avicultores serão obrigados a colocar telas nas granjas e a criar uma área de desinfecção antes da área de produção. A água destinada aos animais deverá ser tratada com cloro e isolada do contato de aves silvestres e também será preciso fazer um controle mais rigoroso de infestação de ratos.

A preocupação aumentou entre os produtores depois que o Chile reportou dois casos de gripe aviária na produção de perus, em janeiro. Os registros foram na região de Valparaíso e o Brasil está na rota de aves migratórias.

“O que aconteceu no Chile nos acendeu luz amarela”, disse o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Ele afirmou, na presença de representantes do setor, em São Paulo, que todas as medidas técnicas de prevenção serão adotadas pelo país para evitar a contaminação no país.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne de frango e o maior exportador. No último ano, foram exportadas mais de 4 milhões de toneladas, 37% do comércio mundial da proteína.

“A legislação já existe, o que está se fazendo é apertar as regras. Quem não se adaptar estará fora”, afirmou Maggi.

Produtores terão prazo de um ano para se adequar às regras, mas em nove meses terão de entrar com protocolos nas secretarias de agricultura dos Estados, para que as granjas sejam fiscalizadas. Quem não se adequar, será impedido de negociar com a agroindústria.

Hoje a produção de carne de aves no país funciona em um sistema de integração. Pequenos produtos recebem os pintinhos e a ração das grandes empresas, como BRF e JBS, e entregam o animal para abate quando estiver pronto.

Segundo Ariel Mendes, diretor de relações institucionais da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), cerca de 90% das granjas da BRF já cumprem as regras. Na JBS, a fatia é de 65%.

Em São Paulo, apenas 40% das granjas cumprem as regras, percentual semelhante ao registrado no Paraná e no Rio Grande do Sul. São Paulo é o maior produtor de ovos do Brasil, enquanto o Paraná é o maior produtor de frangos.

Já os Estados do Tocantins, Goiás e Mato Grosso estão avançados no processo de telamento das granjas, com percentuais entre 90% e quase 100%.

DEMANDA

Segundo o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, a gripe aviária abriu demanda de 700 mil toneladas, e uma parte poderá ser atendida pelo Brasil. Esse volume representa cancelamentos de contratos de exportação ou mesmo o aumento de demanda de importação de países com casos da doença, como ocorre na China.

“Os Estados Unidos perderam 16% do mercado externo”, exemplificou Turra.

A preocupação dos produtores e também do governo é que uma eventual chegada da doença ao país possa trazer prejuízos à produção. Segundo Turra, o PIB da avicultura é de R$ 80 bilhões.

“Não consigo dimensionar [o prejuízo]”, completou.

INVESTIMENTOS

Governo e associação não souberam estimar quanto precisará ser investido para que todas as granjas se adequem às novas regras.

O custo será pago pelos pequenos produtores, donos das granjas. A tendência, no entanto, é que as agroindústrias ajudem no financiamento ao investimento, antecipando pagamentos aos produtos, afirmou Mendes.

Maggi acrescentou que o Plano Safra conta com a linha de crédito Inovar, com taxas de juros mais baixas, para investimentos. 

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