Esquema antigo

Dono da JBS diz que empresa vem
pagando propina a governadores

Valor refere-se a 20% do que era devido em ICMS e teria começado em 2010

19 MAI 2017 Por RODOLFO CÉSAR 15h:47
Wesley Batista durante depoimento ao Ministério Público Federal Wesley Batista durante depoimento ao Ministério Público Federal

Depoimento do empresário Wesley Batista, sócio do grupo J&F, no âmbito da Lava detalhou esquema que a JBS estava envolvida em Mato Grosso do Sul para pagamento de propina. A delação foi homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator do processo na Corte. Fachin suspendeu o sigilo dos documentos hoje.

Wesley Batista afirma na delação que para a empresa obter benefício no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), era obrigado a arcar com 20% do valor devido como propina. Essa ação de corrupção passou a ser tratada quando José Orcírio de Miranda, o Zeca do PT, ainda era governador, segundo o empresário.

Zeca assumiu em 1999 e ficou no comando do Executivo estadual por dois mandatos, ou seja, até final de 2006. "Esse esquema começou quando o Zeca do PT foi eleito, não me recordo a data. No início de 2000, por aí se não me falha a memória. Começou com ele", delatou.

Conforme Wesley, o mesmo tipo de pagamento prosseguiu até final do ano passado, envolvendo também os mandatos de André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja (PSDB).

"Mato grosso do Sul é um esquema de benefícios fiscais para redução da alíquota do ICMS. Esse esquema começou quando o Zeca do PT foi eleito", disse. "Esse modus operandi no Mato Grosso ficou até agora final do ano passado", relatou.

Ao explicar como funcionava o pagamento, ele afirmou que quem tratava diretamente era seu irmão, Joesley Batista, o mesmo que fez gravações envolvendo pagamento de "cala boca" a Eduardo Cunha acertado com o presidente Michel Temer.

"(O acordo era) De acerto de pagamento de propina em troca de redução de pagamento de ICMS no estado. Isso era com o Joesley, começou com o Joesley. Em 2003, onde foi acertado 20% do benefício de redução de ICMS em contrapartida de pagamento de propina", explicou.

OUTRO LADO

A assessoria do ex-governador André Puccinelli, que já é investigado na Operação Lama Asfáltica pela Polícia Federal no Estado, informou que ele não se manifestaria sobre as acusações.

O governador Reinaldo Azambuja prepara nota sobre a citação do nome dele que será enviada pela assessoria de imprensa.

A assessoria de imprensa de Zeca do PT enviou nota por email. O deputado federal refutou qualquer acusação. "Resta desafiado que seja apresentado qualquer prova ou indício do fato aludido na referida delação", informou.

Veja a nota na íntegra:

O deputado Zeca do PT não tem o menor temor da alardeada delação dos executivos do grupo JBS, já que na condição de ex-governador do Estado, nunca pediu e nem tomou conhecimento de que alguém tenha pedido propina ao referido grupo em seu nome ou em nome do seu governo.

Resta desafiado que seja apresentado qualquer prova ou indício do fato aludido na referida delação.

O Deputado Zeca do PT confia que o poder judiciário ao final da apuração saberá distinguir as verdadeiras imputações daquelas que tem um único propósito: Obter benefício com uso indevido da delação premiada.

VEJA O VÍDEO

*Editada às 17h06 para acréscimo de informações. Editada às 16h44 para correção de informação.

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