ARTIGO

Venildo Trevizan: "Ver a realidade"

11 MAR 2017 Por 02h:00

Existem pessoas que se contentam com a realidade que as cerca. Permanecem na planície da vida. Contentam-se com os acontecimentos diários comuns para a maioria. Não alimentam maiores ambições. Não se atrevem a buscar algo mais precioso e mais empolgante. São pessoas comuns. Vivem do quotidiano. Não sintonizam com o grandioso e o eterno. 

Existem outras pessoas mais atrevidas e mais audaciosas. Não se contentam com o comum, com o dia a dia. Querem algo melhor. Buscam algo mais desafiante. Buscam escalar a montanha do saber e do conhecimento, a montanha da fé e da esperança, a montanha da grandeza e da realização, sempre que possível, plena.

São pessoas de personalidade forte e de caráter decidido. São pessoas lutadoras e desbravadoras. Buscam as alturas. Buscam novos horizontes, novos encantos e novas visões. Quem permanece na planície terá suas alegrias, suas novidades e suas grandezas. Mas estará sempre nos limites de espaço e de ambiente.

Quem decidir pelas alturas terá de enfrentar inúmeros perigos e dificuldades. Mas o prazer de tocar na realidade sonhada fará com que esqueça os sofrimentos e celebre a nova visão e o infinito do horizonte. E isso preencherá os anseios de grandeza e satisfará a busca ousada da beleza e do encanto de viver.

O Mestre dos mestres, querendo revelar algo até então desconhecido a seus seguidores, chamou junto a si três deles: Pedro, Tiago e seu irmão João. E, de acordo com a narrativa evangélica, “os levou a um lugar retirado numa alta montanha. Lá mostrou-lhes todo o seu esplendor e toda a sua grandeza. Revelou quem realmente era e o que desejava deles. Essa revelação foi tão fantástica que um deles, Pedro, extasiado por tamanha beleza, tomou a iniciativa e propôs: ‘Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres vou fazer aqui três tendas’”. (Mt.17,1-9). Diante dessa visão deslumbrante que se apresenta, não pensou mais em si e nem nos companheiros. Queria permanecer definitivamente nessa visão encantadora.

Porém, não poderia permanecer nessa situação confortável. Quem descobre a grandeza da felicidade não poderá se acomodar na tenda. Precisa retornar ao ambiente de origem e abrir os olhos de quem não consegue ver os compromissos a serem assumidos. Precisa abrir os ouvidos de quem não consegue ouvir os ensinamentos necessários para ser uma pessoa digna e honrada. Precisa fortalecer as pernas de quem se encontra caído à margem da dignidade.

Precisa retomar sua missão de humanizar a sociedade. Onde houver indiferença, deverá despertar coragem. Onde houver violência, deverá implantar misericórdia. Onde houver ódio, deverá implantar o perdão. Onde houver descrença, deverá reacender a luz da fé.

Esse será o desafio permanente para quem teve o privilégio de escalar a montanha da sabedoria e da graça de Deus. Essa será a missão de quem descobriu o segredo de uma vida pautada pela retidão da consciência e pela fidelidade por assumir a novidade revelada na intimidade de Deus e Pai de todos nós.

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