Artigo

Venildo Trevizan: A ressurreição

Venildo Trevizan é Frei

15 ABR 2017 Por 01h:00

Sempre surgem sensações de dor e de tristeza ao deparar com a morte de alguma pessoa a quem se ama e a quem se quer bem. A morte sempre traz consigo algo que contraria os sentimentos e os anseios mais simples de vida segura e saudável. A ninguém agrada saber desses acontecimentos. O desejo é de viver e viver plenamente.

Mas a morte é inevitável. Todo o ser vivo terá esse desfecho. E mesmo no dia a dia haverá momentos de morte. Haverá momentos de se desfazer de algo para poder realizar certos sonhos de grandeza e de eternidade.

Viver é caminhar. Caminhar é ir deixando algo percorrido e construir caminho a percorrer. É abandonar certos sentimentos criando novos. É renunciar conceitos adquirindo novos. É morrer para certas atitudes elaborando novas. Ser humano algum poderá parar no tempo e muito menos nas buscas. Será necessário um constante morrer para o que conquistou e ressurgir para novas conquistas.

Foi assim que o Mestre dos mestres agiu quando veio a esse mundo a fim de conquistar a confiança da humanidade e oferecer-lhe uma nova maneira de viver. Corajosamente deixou no silêncio a divindade e abraçou a humanidade. Guardou em segredo sua autoridade e se fez servo lavando as misérias, perdoando os pecados e alimentando a vida nova. Dispensou o trono do poder e aceitou a cruz do sofrer.

O poder humano não entendeu esses gestos. Ao crucificá-lo julgou ter realizado o melhor e o mais poderoso plano político. Acabou com o sonho do povo humilde e eliminou quem perturbava a ordem estabelecida. Mas ele ressuscitou. Para alguns foi a vitoria do bem sobre o mal, da humildade sobre o orgulho, da graça sobre o pecado, da vida sobre a morte.

Para outros ele continua morto. Fazem questão de apresentá-lo crucificado e morto. Nas igrejas, nas repartições publicas, nas famílias e em tantos ambientes continua crucificado e morto. Não será fácil mudar essa mentalidade. Não será fácil apresentá-lo vivo e glorioso, pois os sentimentos mais fortes continuam sendo de dor e de tristeza por sabê-lo crucificado.

Os pensamentos e as atitudes do povo simples e do povo sofrido são alimentados pela dor de cada dia por não ter onde trabalhar, por não ter o que comer, o que vestir e onde morar. É um povo que revela as situações mais dolorosas daquele que veio do céu para mostrar o quanto é maravilhoso conviver na alegria, no amor e na paz.

Mas o mundo não entende. O mundo é dos poderosos e dos fortes. São eles que dominam e determinam como viver e por onde andar. Infelizmente muitos continuam na via dolorosa. Muitos são os que estão no caminho do calvário e só lhes resta a dor e a incerteza do dia de amanhã.

Quando acontecerá a ressurreição? Quando surgirá a vida nova, a vida da alegria e da paz? Quando poderão realizar o sonho da casa própria, da comida na mesa, da saúde estável e da vivencia feliz? Esse sonho continuará preso na garganta de muitos seres humanos.

Mas a esperança é a ultima que morre. Creio que a humanidade já está preparada para celebrar a glória e a alegria de todos. E poderemos celebrar uma FELIZ PÁSCOA!

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