OPINIÃO

Marçal Rogério Rizzo: "A diversidade gera necessidade"

Professor do curso de Administração da UFMS de Três Lagoas

11 ABR 2017 Por 01h:00

Estava andando sem rumo quando “dei de cara” com um hipermercado dessas grandes redes e resolvi entrar pra comprar algumas coisinhas. Não havia levado lista de compras – e são justamente essas que nos fazem comprar somente o de que realmente precisamos. O modalizador “realmente” é por minha conta, uma vez que, se levarmos em consideração o que são nossas necessidades vitais ou naturais, deixaríamos de comprar muitas “coisinhas”.

Adentrei o estabelecimento: ar-condicionado, limpeza impecável, vários caixas prontos para atender os clientes. Rumava em direção ao setor de frutas, legumes e verduras, onde sabia que iria encantar-me diante de tantas cores e sabores [nasci em sítio e adoro ver frutas e legumes], mas, antesde chegar lá me deparei com uma prateleira de azeites. Ali, a variedade e diversidade chamaram-me a atenção. Resolvi parar e olhar. Os hortifrúti podiam esperar... Tinha azeite refinado, virgem, extravirgem, extravirgem gourmet, extravirgem clássico e até extravirgem orgânico. Havia azeites com ervas e com aromas. As nacionalidades eram múltiplas: espanhola, chilena, portuguesa e nacional. Lembrei-me de que deveria olhar a acidez antes de comprar. Meu Deus, cadê um manual para comprar azeite?

Lembrei-me de que também precisava comprar café. Procurei e encontrei um setor grande com uma gama de marcas e tipos de cafés. Tinha café orgânico, descafeinado, em cápsulas, solúvel, em grãos, embalado a vácuo, entre outros. A origem do café também era destacada: várias regiões do Brasil e do mundo. Peguei dois pacotes de um café produzido em Minas Gerais e continuei minha turnê pelo hipermercado.

Pertinho do café, dei de cara com o açúcar. Ali estava o açúcar orgânico, o demerara, o cristal, o refinado e o mascavo. As embalagens também eram diversas. O sal, mais à frente, também passou a contar com variedade: sal grosso, fino, light, iodado, rosa do Himalaia. E mais: vem acondicionado no vidrinho, saquinho ou latinha. Admirável mundo novo do consumo...

No prato do brasileiro também não pode faltar o arroz! E lá fui eu dar uma olhada no que poderia encontrar em meio a tantas mercadorias. De cara, já encontrei o branco ou agulhinha em promoção. Tinha também o vermelho, o selvagem, o parboilizado, cateto, integral e arbóreo. Aqui pensei no manual para adquirir o nosso santo arroz. Com o feijão não foi tão diferente. Uma senhora até trocou algumas palavras comigo dizendo que o feijão fradinho é uma delícia. Mas também tinha o feijão preto, o bolinha, o carioca e o branco.

Andei mais um pouco e vi um casal discutindo. Afinal, o que estavam falando? Seriam ciúmes? Problemas financeiros? Sei lá o que seria... Só quando cheguei mais próximo notei que estavam debatendo sobre qual maionese comprar. Claro que isso me chamou a atenção e não pude deixar de ver o que havia ali. Maionese light, original, saborizada de yogurte, queijo, manjericão, limão, azeitona, atum, bacon, ervas finas, tomate e peito de peru. Só achei estranho um casal brigando por causa da compra de um pote de maionese...

O que pode ficar como lição desse tour pelo hipermercado é que a grande diversidade pode criar em nós necessidades. Nem que seja a de discutir com o parceiro por causa da maionese...

Opa! Ia-me esquecendo do material de limpeza, de higiene, dos chocolates, das bolachas, das latarias, da cerveja... fica pra próxima oportunidade!

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