OPINIÃO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Consciência cinéfila"

Físico e administrador

10 JUN 2017 Por 01h:00

Não basta passar o dia sendo catequisado pelas programações politicas sobre o cenário brasileiro destrinchando imparcialmente as notícias, e opinando de acordo com âncoras comprometidos com o status quo, seus empregos, e os ditames das edições manipuladas.  Como os leitores e eleitores não devem ficar a margem do processo cidadão e por isso mesmo devem se informar por meio de fontes alheias, não cooptadas pelos interesses espúrios, particulares, e coniventes, lembrei-me como forma alegre de entretenimento a citação de alguns filmes que deveriam ter lugar nas cabeças pensantes e interagentes.

Para aqueles que se identificam com as delações premiadas, já em 1935, John Ford dirigia – “O Delator” (The Informer – Victor McClaguen), que se passa na Irlanda quando Gypo, um irlandês meio idiota, denuncia seu melhor amigo por uma recompensa como resultado de uma desilusão amorosa e ainda por desgosto de não ser aceito para integrar o exercito revolucionário (IRA), Ele passa a sofrer com a delação diferentemente daqueles daqui do Brasil.

No caso dos simpatizantes das gravações sigilosas e o resultado desastroso que elas produzem na vida das pessoas que tem suas privacidades invadidas, sugiro um filme de F. Copola, intitulado “A Conversação” onde Gene Hackman interpreta um especialista em escutas contratado por uma empresa, que não a JBS, para gravar um casal, resultando em uma trama que pode levar ao assassinato, visto que ele já havia vivido tais circunstâncias. Ele termina psicótico em função das suas atividades, diferentemente dos nossos escutadores que já são!

No caso daqueles que ainda acreditam que a crise econômica é devida a uma pessoa, um governo e um partido, ou que acham que a corrupção é fato novo, responsável por todos os efeitos negativos no desenvolvimento do Brasil, o documentário – “Capitalismo – Uma estória de amor”- produzido por Michael Moore e disponível, de graça, e engraçado (https://www.youtube.com/watch?v=hwzDrLW0aGw) explora a verdadeira crise, a mundial, a partir do capitalismo que desvirtuou os ideais americanos de liberdade previstos na Constituição, mas não observados adequadamente por grupos que visam a geração de lucro e restrito a um pequeno grupo de exploradores da sociedade. Importante lembrar que Michael Moore é americano, não é cubano, nem venezuelano.

Para os jovens que não viveram a verdadeira história, aquela contada anos depois pelo tempo, dando razão aos perdedores, ou aos seus pais que na época viviam nos bailes da Jovem, curtindo os Blue Caps, Roberto e a Jovem Guarda ou mesmo vendo filmes da Cinédia ou do Mazzaroppi, alheios dos acontecimentos, podemos limpar a barra com uma reportagem do jornalista – Flavio Tavares, -  https://www.youtube.com/watch?v=v-HhhdgYOaA denominada “O Dia Que Durou 24 Horas”, que mostra o patrocínio do governo americano no apoio ao golpe que resultou na queda de João Goulart, baseado na revelação de documentos top -secretos e originais, mostrando a participação, o planejamento do golpe e a anuência de Kennedy. Para alguns a teoria da conspiração não existe!

Se você é daqueles que acredita em erro judiciário deveria ver “O Caso dos Irmãos Naves” (1967)- de Luís Sergio Person, interpretados por Cortez e Juca de Oliveira, protagonistas dos irmãos Naves, presos, torturados, e mortos em Araguari, acusados injustamente de um crime em 1937, ao relatarem a polícia o desaparecimento de um sócio que viajara com dinheiro na época da polícia especial do Estado Novo, em que a justiça mandava e desmandava sem dar satisfações à sociedade.

Os dias atuais por vezes lembram o filme de Orson Wells, “O Processo” (1962) romance de Franz Kafka, onde da noite para o dia um bancário é conduzido coercitivamente de seu próprio quarto: ao acordar é comunicado que estava sendo processado desconhecendo o motivo. Acreditava que ao ser interrogado esclareceria suas dúvidas, mas nem mesmo o inquiridor ou os próprios guardas conheciam o real motivo da sua detenção. Trata-se de um pesadelo, irreal para quem não o está vivendo, e retrata um sistema judiciário despótico de um regime autoritário no Leste Europeu.

Se você acha que um sindicato forte é desnecessário para a manutenção dos seus direitos trabalhistas porque não rever “F.I.S.T.“, (1978) de N.. Jewison estrelado por S. Stallone, no papel de um sindicalista de camioneiros americanos, a semelhança de uma história real.
Agora, uma vez municiados, partamos para ação!

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