Artigo

Luci Carlos de Andrade:
O motivo da motivação

Luci Carlos de Andrade é Doutora em Educação/UFMS

12 JUN 2017 Por 01h:00

Um simples adesivo. Desses que se cola em carros. Gerou um universo de aprendizados e aprendizagens, com sentidos e significados para um grupo de alunos...de jovens, ávidos por novidade, movimento, dinamismo. Aquela educação, que tentamos pregar, ou desenvolver nas escolas, e que só conhecemos na teoria, e que os incrédulos dizem, não é possível, deliberadamente aconteceu, a partir de um simples adesivo, ou dezenas deles, ganhados, é bom frisar. 

Adesivos sobre a conscientização de um trânsito melhor, foi o motivo, para criar ideias, banners (diga-se de passagem, reutilizados), reescritos, carregados de mensagens, imagens, cores, expressividade sem fim...tudo, organizado, elaborado em questão de horas, pela professora. Alunos, orientados, motivados, estimulados, para serem os “agentes do bem”, que romperam com os muros da escola, transcenderam ao enfileiramento das carteiras, do quadro, do giz, da cópia, do tédio das aulas iguais de todos os dias.  

O motivo de tanta motivação – os adesivos – revelou potencialidades, fez transbordar sorrisos, desvelou sentimentos, despertou alegria em doar, acordou o espírito de solidariedade, respeito, generosidade...explodindo emoções, sensações até então desconhecidas pelos jovens. Engaiolados pelas regras, acorrentados por uma rotina, impiedosa, injusta, que limita a energia inquietante e criativa, própria dos jovens e que habita o ser, na sua essência. 

O mote dessa vez, os adesivos, motivaram uma explosão coletiva, na ação de simplesmente adesivar carros, conversar e orientar motoristas, ciclistas, motociclistas e pedestres. E eles, esses jovens cotidianamente engaiolados pelas regras e imposições, participaram, todos, com gosto, com alegria no rosto, com educação, derramando gentilezas, uns com os outros. Aprenderam ou apreenderam? 

Muito mais do que o previsto, do que qualquer livro possa ter dito, muito mais, que um quadro forrado de palavras, frias, passivas, vazias. Nas interações, nas orientações, nas informações, aprenderam...que podem, que sabem, que são capazes, que podem ser úteis. Aprenderam que são gente do bem, que a liberdade traz a motivação. Apreenderam o real sentido do aprender.

A fala era unânime, entre eles...” queremos mais aulas assim”. E então, é possível ou não. Basta buscar motivos, caminhos...reinventar, recriar, reconstruir os modos de ensinar. A dimensionalidade do ser professor é isso, armar-se de intencionalidade, inovar nas metodologias, reinventar o velho na inventividade do novo, colorindo de significados o saber!

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