Opinião

Gilson Cavalcanti Ricci:
Reflexões sobre o Carnaval

Gilson Cavalcanti Ricci é Advogado

13 MAR 2017 Por 02h:00

Acabamos de viver mais um “tríduo carnavalesco”.  Desde sua existência jurídico-institucional, como um estado  independente, neste lapso de tempo o Brasil agita-se de norte a sul, num reboliço geral. As fontes produtivas param de trabalhar, e o governo dá ponto facultativo a seus funcionários. Escolas, bancos, fábricas, comércio - tudo para de funcionar. A única fonte de renda da economia nacional nesses dias agitados é a arrecadação do dinheiro deixado pelos turistas. Nos dias atuais, temos o privilégio de assistir pela TV a quase totalidade dos movimentos carnavalescos Brasil afora: o belo colorido do desfile das escolas de samba na Avenida Marquês do Sapucaí, no Rio de Janeiro, a poética exibição das graciosas escolas de samba  no sambódromo paulista; o frevo frenético de Recife e Olinda; e a frescura dos trios elétricos de Salvador. 

Particularmente, vejo o frenesi dos “foliões” um achincalhe de cada um deles diante da triste situação da economia brasileira. Trata-se da mais sórdida insensibilidade de um povo à agonia da economia de seu próprio país, e o desespero de milhões de compatriotas desempregos. Nenhum intelectual se encoraja a dizer ao povo brasileiro a verdade sobre a nocividade do carnaval, tanto no aspecto econômico, como no aspecto social. Nem mesmo os clérigos e os políticos, até hoje não se posicionaram corretamente numa cruzada nacional contra a libertinagem carnavalesca! O que fazem é atacar de longe o folguedo, todavia sem jogar na cara dos foliões a maldade do Rei Momo num país que tem tudo para ser potência mundial, mas seu próprio povo impede com a indolência das gentes incultas.

Por oportuno, cito aqui o procedimento maldoso dos portugueses contra o povo brasileiro, ao saírem do Brasil depois da independência. Eles não deixaram para nós nenhum progresso humano, com que pudessem demonstrar o espírito cívico português aos habitantes da ex-colônia. Contrariamente a isto, deixaram aqui muitos maus costumes, como jogo de bicho, idolatria a entidades pagãs, como o carnaval por exemplo, cartomancia, corrupção, etc. Também, nos legaram uma língua boa de se  falar, mas que ainda não se firmou definitivamente como um idioma, mas sim como um dialeto vulgar, ou uma autêntica colcha de retalhos do vernáculo. Explico: várias reformas ortográficas impostas por Portugal, vieram modificar a estrutura básica da língua portuguesa: 1909, 1911, 1931, 1943, 1945, 1973 e, atualmente, a partir de 2009, a mais recente reforma ortográfica. A todas essas absurdas e desnecessárias reformas o governo brasileiro disse amém, sem sopesar o fato de que elas são responsáveis diretas pela evasão escolar no Brasil. 

Portanto, o português Zé Pereira, morador do Rio  antigo, quando saía pelas ruas batendo tambor, anunciando o carnaval, não tinha em mente o desvario de grande parcela da população brasileira, a jogar-se de corpo e alma na folia, mesmo diante da grave e ameaçadora crise econômica pela qual passa o Brasil. Para se ter a ideia de quão nefasto é o carnaval, basta atentar a estes índices publicados por entidades como a FECOMÉRCIO, de São Paulo: em 2016 os feriados nacionais geraram à economia um prejuízo estimado em mais de cinqüenta e nove bilhões de reais. Dividindo-se esse valor por doze feriados havidos naquele ano, demonstra-se que em apenas num único dia de feriado o prejuízo atingiu mais de seis bilhões de reais, o que demonstra que em três dias de feriado o baque na economia chegou a mais de dezoito bilhões de reais. Ainda, segundo a mesma fonte, no carnaval daquele mesmo ano, o Brasil faturou com o turismo em torno de cinco bilhões de reais. Portanto, excluída a arrecadação com o carnaval, a economia brasileira, motivada pela folia de momo, sofreu um tombo de doze bilhões de reais em 2016! 

Pense nisto, eleitor amigo.

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