CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Salvação da lavoura"

12 MAR 2017 Por DA REDAÇÃO 02h:00

(...) as administrações, estadual e municipais, devem cortar da própria carne para obter algum efeito que saia do pífio, onde o País patina há anos.

Começo de ano costuma ser o período em que há mais contas a se pagar: matrícula dos filhos, material escolar, Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), além das contas regulares. O que é pesadelo para uns, é alívio esperado por outros. Na outra ponta desta equação estão as administrações municipais, ávidas por esses valores, que ajudam a engordar o caixa, principalmente neste período, ainda afetado pela crise econômica, e que muitos gestores trabalham no vermelho. Porém, passada a “euforia de recebimentos”, é preciso traçar alternativas para chegar ao equilíbrio entre despesa e receita.

Historicamente,  Mato Grosso do Sul obtém índices favoráveis graças ao setor agropecuário, que tem buscado se diversificar e mantém-se no topo da rentabilidade. É preciso ampliar o foco e buscar outras fontes para “salvar a lavoura”.

Desde 2015, quando a economia começou a entrar em declínio, as administrações deveriam ter começado a se preparar. Os que não buscavam a reeleição, pouco se esforçaram; os que queriam continuar nos cargos tentaram arrumar a casa, ou pior, maquiar os dados para resolver os efeitos da bomba depois. Nas duas situações, o cenário atual é lastimável. Poucos são os que conseguiram alcançar êxito passar na calmaria em período tão turbulento. Um exemplo, já mostrado em reportagem do Correio do Estado, é o prefeito de Costa Rica, Waldeli dos Santos Rosa, que conseguiu pagar funcionários em dia e desembolsos que chegara até 16º salário aos professores. Um oásis no meio da recessão desértica. 

Embora o presidente da República, Michel Temer, insista em dizer que o Brasil está saindo da crise, a maioria dos índices reflete outra realidade. Há, claro, alguns resultados que devem ser comemorados. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, ano começou com saldo positivo de empregos, com destaque para o setor da construção civil. O número ainda é tímido, mas destaca-se em meio a tantos outros negativos. Porém, não se pode perder de vista  o cenário geral. É por isso que as administrações, estadual e municipais, devem cortar da própria carne para obter algum efeito que saia do pífio, onde o País patina há anos.

No Estado, o governador Reinaldo Azambuja anunciou, em fevereiro, a reforma administrativa, com intenção de cortar R$ 234 milhões em despesas. A administração estadual pode tentar mais do que isso. Está fazendo seu trabalho em buscar a recomposição do ICMS do gás boliviano, porém, não se pode esperar apenas pela compaixão do diretor da Petrobras, Pedro Parente, para resolver o problema. Espera-se que o governo tenha mais “cartas na manga” para buscar o equilíbrio. Em Campo Grande, o prefeito Marcos Trad também divulgou que pretende enxugar R$ 215 milhões. Nos dois casos,  há outras revisões que precisam ser feitas com urgência, como os benefícios fiscais concedidos a grandes empresas e, no caso do Executivo municipal, exercer fiscalização ferrenha de estratégias fiscais adotadas por escolas e hospitais, que deixam de pagar Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN). O tempo está passando e as contas são implacáveis, como bem sabem os contribuintes.

 

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