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Editorial desta segunda-feira: "Fiscalização e punição"

9 OUT 2017 Por 03h:00

Trabalhar para que o comportamento dos condutores melhore (...) deve ser somente um dos esforços do poder público para reduzir a violência no trânsito.

Acidente ocorrido na tarde da última sexta-feira, perto da entrada de Ribas do Rio Pardo, em que duas pessoas morreram e outras três foram socorridas com vida, são um triste exemplo de uma realidade cada vez mais alarmante na BR-262, no trecho que liga Campo Grande a Três Lagoas. A via caminha para ostentar o título de nova “Rodovia da Morte” em Mato Grosso do Sul.

Nos últimos dois meses, foram raros os dias em que não foi reportado algum acidente no trecho de aproximadamente 340 quilômetros. 

Números levantados pela Polícia Rodoviária Fedeal indicam a ocorrência de 180 acidentes entre os meses de janeiro e setembro deste ano, quantidade que não leva em consideração ocorrências recentes, como esta citada no início do texto, em que um carro se chocou de frente com uma caminhonete, durante tentativa malsucedida de ultrapassagem.

Estas duas mortes - foram 19 na rodovia desde que 2017 começou - ocorreram em um trecho da pista onde o asfalto não é perfeito, mas há alguma sinalização e conservação, e ilustram um problema gravíssimo de comportamento dos motoristas: a imprudência. 

Há muito pouco respeito das leis de trânsito por parte dos condutores. Basta circular por alguns minutos em algumas das rodovias mais movimentadas do Estado para presenciar um festival de ultrapassagens em local proibido, e de carros e caminhões muito acima - ou muito abaixo - do limite de velocidade. Estas oscilações entre altíssimas e baixíssimas velocidades, é bom lembrar, contribuem para que os motoristas fiquem cada vez mais impacientes e façam muitas ultrapassagens indevidas e inconsequentes. 

A falta de fiscalização e de punição aos motoristas apressadinhos pode ser um dos caminhos para evitar que mais vidas sejam perdidas nas estradas de Mato Grosso do Sul.

Mas há problemas para que isso ocorra de uma forma mais contundente, o mais grave deles é o contingenciamento de recursos por parte da Polícia Rodoviária Federal que, com um efetivo limitado, reduziu seu poder de atuação nos trechos sob sua jurisdição.

Também seria oportuno adotar critérios mais rígidos para renovação das licenças para dirigir, e punições administrativas mais severas contra os infratores.

Trabalhar para que o comportamento dos condutores melhore, entretanto, deve ser somente um dos esforços do poder público para reduzir a violência no trânsito.

É preciso, mais do que nunca, dar boas condições de trafegabilidade, e investir em qualidade do pavimento e sinalização. Isto já foi feito na BR-163, a única de Mato Grosso do Sul concedida à iniciativa privada, e o trabalho teve resultado. 

Desde 2014, quando a CCR assumiu o controle da rodovia, o número de mortes e acidentes da via foi reduzido. A estrada deixou seu status de “Rodovia da Morte”, que carregou por muitos anos. A duplicação de vários trechos, o asfalto sem buracos, e sinalização como deve ser feita reduzem o estresse do motorista. Isto evita tragédias. 

No caso específico da BR-262, há pelo menos duas luzes no fim do túnel. A primeira, a restauração de trecho de aproximadamente 180 quilômetros entre as cidades de Água Clara e Três Lagoas. 

A outra é o processo de concessão da rodovia à iniciativa privada. Ela é uma das principais ligações de Campo Grande com o Estado de São Paulo, e nos últimos anos viu o tráfego aumentar com a chegada das indústrias de papel e celulose.

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