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Editorial desta quarta-feira: "Reprovada em gestão pública"

4 OUT 2017 Por 03h:00

Os últimos reitores da UFMS preferiram levantar novas edificações e negligenciaram a estrutura existente, agora em estado precário.

Circular pela sede da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, é ter a oportunidade de constatar a má aplicação do dinheiro público. No Brasil, país que é abundante em recursos naturais e pródigo ao utilizá-los, a maior instituição de ensino de Mato Grosso do Sul, mantida pela União, não poderia fugir à regra.

No mês passado, conforme aponta inquérito aberto pelo Ministério Público Federal, a administração da universidade admitiu enfrentar dificuldades para atender a normas de segurança exigidas para qualquer edificação onde circulam muitas pessoas. Essa mea-culpa também pode ser interpretada como uma confissão de incompetência e de má gestão dos recursos.

Basta verificar os muitos prédios novos, além das salas de aula e dos espaços ainda em construção no campus da Capital, para constatar que tal justificativa da reitoria é – no mínimo – o reflexo das más escolhas das últimas administrações da UFMS. Preferiram levantar novas edificações e negligenciaram a estrutura já existente.

O resultado está por todos os lados. Pelo menos nos prédios mais antigos, aparentemente esquecidos pelos últimos reitores. Nos banheiros, quando ainda há vasos sanitários, alguns estão quebrados ou com infiltrações.

Depois de uma caminhada pelo corredor central da instituição, próximo às agências bancárias, tente não olhar para cima, pois poderá se assustar com a possibilidade de parte da laje cair sobre a cabeça de alguém. Problemas como esses foram descritos em reportagem de Jones Mário, publicada na edição de ontem.

Ao admitir as dificuldades para atender às normas de segurança, a UFMS pediu ajuda – em um ato de antecipação – até mesmo para o Ministério Público Federal (MPF), órgão de fiscalização, que também poderia ter denunciado há muito tempo a precariedade das unidades da universidade.

Em contraste com os setores do campus que estão caindo aos pedaços, os prédios novos, muitos deles subutilizados, denunciam a má gestão. Eles custaram milhões.

Houve irregularidades na construção de alguns, investigadas pelo próprio MPF. Parte desse dinheiro poderia evitar que os estudantes e professores fossem submetidos diariamente aos riscos de estudar e trabalhar em salas e corredores precários.

A universidade federal, por contar com vários engenheiros civis, arquitetos e especialistas em gestão em suas faculdades, deveria dar o exemplo do bom uso dos recursos públicos que consome anualmente. Esses profissionais, muito bem remunerados, diga-se de passagem, poderiam contribuir mais com o campus e com a comunidade.

Na instituição que tem o ensino, a pesquisa e a extensão como seus objetivos maiores, este último é negligenciado.

A UFMS dificilmente consegue ir além de suas grades e muros e, quando tenta fazer isso, demonstra incompetência. Caso do equipamento de hemodinâmica, que custou R$ 1,3 milhão e está há quatro anos encaixotado dentro de uma sala do Hospital Universitário (leia reportagem nesta edição).

Flagrante desperdício de dinheiro público. Uma instituição tão festejada por seu ensino de qualidade, talvez esteja precisando aprender mais.

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