CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado:
"Drama permanente"

11 MAR 2017 Por 03h:00

É preciso rigor para escolher quem constrói. O exemplo a não ser seguido é o da Organização Morhar.

Nem sempre algo que é apresentado como solução de um problema acabará, de fato, com ele. Foi o que ocorreu, por exemplo, com as casas construídas (?) pela Morhar Organização Social no ano passado, em Campo Grande. A maioria delas tem problemas estruturais, como será possível conferir mais adiante, em reportagem publicada nesta edição. 

Agora, a novidade é a permanência do drama das famílias. No fim do ano passado, quando começou a transferência dos moradores da favela Cidade de Deus para várias áreas públicas localizadas na periferia de Campo Grande, as autoridades da época previam o fim do problema. Não foi isso que ocorreu.

Se, antes, essas pessoas em situação de vulnerabilidade social moravam em barracos de lona, agora, elas residem em casas de alvenaria, cujo padrão de conforto não está muito distante do qual tinham nos locais em que sobreviviam até serem transferidas no ano passado.

Houve recursos públicos suficientes para a construção dessas residências. O que não existiu foi organização e transparência, virtudes, diga-se de passagem, praticamente inexistentes no mandato de Alcides Bernal na Prefeitura de Campo Grande. Foi ele quem assinou convênio com a organização social que mantém dezenas de empreendimentos e ações Brasil afora, porém, seus representantes dificilmente são encontrados.

Desde o ano passado, sobram perguntas e faltam respostas do presidente da Morhar, Rodrigo da Silva Lopes. Em 10 de junho de 2016, ele, o ex-prefeito Alcides Bernal, Disney de Souza Fernandes, ex-secretário de Finanças do município, e Dirceu de Oliveira Peters, ex-diretor da Agência Municipal de Habitação (Emha), celebraram convênio para a construção de 300 casas. O número de moradias nunca foi atingido; os problemas, nas poucas que chegaram a ser entregues, superaram as expectativas. 

Ao constatar o drama dos ex-moradores da favela Cidade de Deus nas casas em que residem atualmente, o que se percebe é que o trabalho da Morhar neste projeto foi apenas o de ficar com os recursos públicos do convênio. A maioria dos moradores recebeu terreno e material de construção, tendo de levantar as casas por conta própria. É oportuno destacar que praticamente todos eles não tinham experiência alguma na construção de casas.

A Emha e a Prefeitura de Campo Grande não se importaram com o destino dos ex-moradores da Cidade de Deus. Os gestores da Capital na época tinham a intenção de livrar-se de um problema. Acabaram só o mudando de lugar. 

Diante das evidentes falhas estruturais nas casas entregues às famílias carentes, é preciso que a atual administração tente corrigir as trapalhadas da gestão anterior e que se estabeleçam critérios mais rígidos para a concessão de casas próprias a quem precisa. Também é necessário rigor para escolher quem constrói. O exemplo a não ser seguido é o da Organização Morhar. 
 

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