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Confira o editorial desta terça-feira: "Basta ao descontrole"

11 ABR 2017 Por 03h:00

É inaceitável que a instituição continue a operar como “saco sem fundo”, usando chantagem e ameaças para conseguir mais verbas.

O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad, vem demonstrando, nos últimos dias, empenho para acabar com o descontrole nos recursos públicos repassados à Santa Casa. É inaceitável que a instituição continue a operar como “saco sem fundo”, usando chantagem e ameaças para conseguir mais verbas, mesmo sem prestar contas de todas as receitas e despesas.

Incoerente que a Associação Beneficente disponha de condições para fazer reformas e pagar altos salários dentro do hospital, mas alegue deficit milionário na hora de reivindicar ampliação de repasses. Sem abrir essa “caixa-preta” das finanças, algo que inclui informações claras sobre os contratos com serviços terceirizados, jamais existirá consenso.

Os pedidos estão em descompasso com a realidade, insaciáveis e são inexequíveis, pois desmontariam qualquer planejamento de investimentos na rede pública de saúde. A pressão maior ocorre pelos R$ 3,5 milhões mensais, há ainda R$ 14 milhões referentes ao deficit acumulado dos últimos três meses. Soma-se ainda ação judicial que tramita na Justiça Federal para cobrar R$ 155 milhões do Município, referente à defasagem nos valores de procedimentos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A contrapartida mínima diante desses valores exorbitantes seria a transparência total de tudo que entra no cofre da entidade mantenedora, medida ainda não adotada com eficácia.

Esses constantes apelos por verba, inclusive, transformam a conclusão do Hospital do Trauma em preocupação. A obra, esperada há décadas, pode virar novo impasse, pois a previsão é que continuasse a ser administrada pela Associação Beneficente. A dificuldade de negociação com a mantenedora serve de alerta para essa reflexão que, desde já, precisa ser feita pelo poder público. As resoluções não podem ser proteladas, sob o risco de pacientes, novamente, serem prejudicados com o risco de suspensão de atendimentos.

Infelizmente, o governo federal utiliza estratégia equivocada ao destinar recursos para construções de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospital sem ter dotação orçamentária para custear as novas unidades. O principal - profissionais, medicamentos e equipamentos - acaba sendo negligenciado. Trata-se de investimento fictício, que serve apenas para contabilizar mais “ações” nas estratégias de marketing eleitoral. A população está atenta e não se contenta mais com auxílios incompletos e incoerentes com a alta carga tributária.

A reformulação que ocorre hoje na regulação de pacientes na área da saúde é essencial para não ocorrer sobrecarga nos prontos-socorros de hospitais. Não funcionará, porém, se a estrutura da rede básica for precária. Os problemas de gestão precisam ser solucionados e um dos primeiros passos consiste na transparência das contas para que verbas sejam aplicadas da maneira correta e nas áreas em que há maior necessidade. 
 

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