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Confira o editorial desta quinta-feira: "Investimentos restritos"

13 ABR 2017 Por 03h:00

Em praticamente todas as obras, há dependência perigosa dos financiamentos, o que proporciona lucros vultosos aos bancos.

A CCR-MS Via não tem mais condições financeiras de concluir as obras de duplicação da BR-163 em Mato Grosso do Sul. A empresa anunciou a suspensão dos trabalhos e pede a revisão do contrato formalizado com a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Por enquanto, a cobrança de pedágio será mantida e a manutenção da pista mais movimentada do Estado continuará. Ainda não há clareza sobre a revisão contratual que será feita, já que a empresa deixará de promover parte dos compromissos que tinha assumido. O governo federal não pode simplesmente concordar com a paralisação de trabalhos da empresa, por mais que haja as dificuldades financeiras demonstradas. É preciso apresentar alternativas ou, ao menos, plano de trabalho para retomar os investimentos.   

Há série de fatores relacionados com a crise econômica, que influenciaram na paralisação das construções. O consumidor precisou reduzir as compras diante do aumento no desemprego  e do avanço do endividamento, as indústrias também precisaram cortar a produção e, consequentemente, a circulação de mercadorias caiu. Essa redução impactou na quantidade deveículos na rodovia e a receita com pedágio caiu, frustrando parte do planejamento da concessionária. 

    Assim como muitas empresas privadas, o valor de investimento resulta de quantias subsidiadas por financiamentos bancários. Então, há ainda fatores externos, a exemplo da taxa de juros que estava alta nos últimos anos. Agora, com quedas consecutivas da Selic, há possibilidade de retomar esse otimismo em alguns setores. Não é algo que ocorre rapidamente. Em primeiro momento, a suspensão dos trabalhos ao longo da BR-163 provocará baque significativo no Estado. Serão 2,1 mil trabalhadores demitidos das empresas contratadas pela CCR para executar as obras de duplicação. Soma-se ainda a perda da melhoria de infraestrutura, considerando a qualidade da pista e até mais segurança para trafegar garantidas pela duplicação. 

Atualmente, várias rodovias do Estado estão em péssimas condições. Precariedade que implica prejuízos econômicos, principalmente no momento de escoar a produção agrícola - setor que vem gerando os principais ganhos na arrecadação em meio ao cenário deletério das finanças. O governo estadual executa algumas obras, mas depende basicamente dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul). 

Infelizmente, sabe-se que o poder público deixa muito a desejar e, agora, nem mesmo a alternativa de apelar à iniciativa privada tem dado resultado para garantir as melhorias de infraestrutura. O que ocorre em relação à BR-163 exemplifica a dificuldade enfrentada por muitos, mas a análise precisa ir além do momento econômico atual.  Em praticamente todas as obras há dependência perigosa dos financiamentos, situação que proporciona lucros vultosos aos bancos. Diante da crise, diminuem as chances de empresas assegurarem novos investimentos, aumenta a inadimplência, a burocracia e, consequentemente, o crescimento acaba ficando restrito. 
 

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