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Confira o editorial desta quinta-feira: "Fronteiras abertas"

6 JUL 2017 Por 03h:00

O governo federal, embora esteja adotando a estratégia esperada por conta da crise, precisa rever alguns pontos do contingenciamento.

O corte de gastos é estratégia adotada pelos governos em decorrência do agravamento da crise financeira. A medida é necessária para se chegar ao equilíbrio nas contas, porém, o contingenciamento pode ter efeitos colaterais, propiciando o agravamento de outros problemas, tão dramáticos quanto o que originou a redução de despesas. Sob esta ótica que precisa ser visto o anúncio da Polícia Rodoviária Federal, de suspensão de vários serviços. A medida é decorrente de decreto federal e, infelizmente, apenas comemorada pelo crime organizado.

A lista divulgada pela PRF é estarrecedora: por conta do decreto 9018/17 do governo federal, com contingenciamento orçamentário de 39%, a corporação decidiu suspender serviço de escolta, policiamento e resgate por meio aéreo, redução dos deslocamentos terrestres, desativação de unidades operacionais e mudança no horário do administrativo. Tudo para tentar se adequar ao valor de repasse hoje estipulado em R$ 257,6 milhões. Haverá um cronograma para o fechamento dos postos, na tentativa de minimizar os efeitos das medidas. Porém, mesmo que feito a conta-gotas, as consequências são extremamente preocupantes.

Para Mato Grosso do Sul não poderia ser pior: estado brasileiro fronteiriço aos principais produtores de drogas e traficantes de armas, o trabalho de patrulhamento e fiscalização, que já era difícil, atingiu níveis de improbabilidade. Na edição de quarta-feira, neste mesmo espaço, foi abordado o balanço de apreensões de droga feito pela PRF neste primeiro semestre. Foram 103 toneladas, o triplo das apreensões feitas em 2016. É demonstrativo do trabalho prestado pela polícia e, ao mesmo tempo, da força do narcotráfico na região, fazendo com que o Estado seja uma das principais rotas do crime. O sindicato da categoria admite que o serviço de repressão ao crime já era deficitário, com metade do contingente necessário. O último concurso foi em 1994, quando 300 policiais foram distribuídos em postos pelo Estado. Lá se foram duas décadas fazendo o impossível nas rodovias federais.

A PRF e o Ministério da Justiça ainda tentam recompor os valores, em negociação como o Ministério do Planejamento, mas discussão não tem definição a curto prazo. O governo federal, embora esteja adotando a estratégia esperada por conta da crise, precisa rever alguns pontos do contingenciamento. Há aspectos graves  que não podem ser ignorados, como o combate ao crime organizado.

 O Brasil vive momento de fragilidade extrema. Os índices da criminalidade estão em ascendência, enquanto as forças de segurança enfrentam sucateamento. Até que haja alguma solução, toneladas de drogas, armas e contrabando de remédios e cigarros, para citar alguns dos itens, já terão passado pelas estradas brasileiras. É praticamente um salvo-conduto para os criminosos. Para o policial fica a frustração de não conseguir desenvolver seu trabalho a contento; para a população, aumenta a sensação de insegurança e de que o País caminha para a anarquia.
 

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