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Confira o editorial desta quarta-feira: "Deveres, enfim, cumpridos"

12 ABR 2017 Por 03h:00

O prefeito Marcos Trad ainda terá muito trabalho pela frente para eliminar o comodismo que predomina nas empresas responsáveis por serviços públicos.

A superlotação no transporte coletivo urbano ainda não será solucionada com a chegada de 91 novos ônibus a Campo Grande. Isso porque trata-se de substituição para renovação da frota, quepassa a ter idade média de 4,5 anos, atendendo a atribuições estabelecidas em contratos. Resumindo, o Consórcio Guaicurus está simplesmente cumprindo suas obrigações, algo que, inclusive, já deveria ter sido feito antes. Hoje, infelizmente, as regras só são acatadas se houver pressão e cobranças constantes. Demonstra-se, portanto, que o prefeito Marcos Trad ainda terá muito trabalho pela frente para eliminar o comodismo que ainda predomina nas empresas e concessionárias responsáveis por serviços públicos. 

Seria importante exigir que as empresas disponibilizassem quantidade maior de veículos nos horários considerados mais críticos, como no período da manhã, quando várias pessoas estão se deslocando para escolas ou trabalhos, e no fim do dia, no retorno para casa. Caso contrário, o real propósito e as melhorias decorrentes da chegada dos novos veículos não resultarão no efeito esperado pelos passageiros, que merecem mais conforto. Ainda, nem todas as exigências estão sendo cumpridas, a exemplo da quantidade da frota com ar-condicionado ou climatizador.

Outra pendência que começará a ser solucionada refere-se aos terminais de ônibus, em situação de completo abandono nos últimos anos. A administração municipal não assumiu os trabalhos de manutenção e reforma. O Consórcio Guaicurus também sempre esclareceu que essa “tarefa” não foi acordada na época da contratação. Agora, as obras acontecerão, mas os recursos resultam de contrapartida da isenção do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN), que foi prorrogada. No acordo, está prevista ainda instalação de 100 pontos. 

Há de se considerar avanços importantes, pois, finalmente, ocorrem investimentos no transporte coletivo urbano. Não há, porém, como omitir a displicência que ocorreu nos últimos anos, em que nem sequer obrigações básicas foram cumpridas. Essa omissão explica a diminuição de passageiros: foram 500 mil em um ano. Sem contar com o mínimo de conforto e pagando valor considerável, é natural que moradores busquem outras opções. A consequência dessa falta de qualidade resulta no aumento de carros e motocicletas circulando – algo que também impacta no aumento de acidentes de trânsito, gerando outras demandas ao poder público. 

Alguns passos estão sendo dados, mas está evidente a necessidade de manter o rigor para exigir que as concessionárias cumpram suas tarefas com qualidade. Há falhas nos contratos, que, inclusive, precisariam ser revisados e corrigidos para tornar essa exigência ainda mais firme. As cobranças devem ser estendidas a todos os serviços públicos relegados à iniciativa privada, por meio de licitações a custos altíssimos. Hoje, o que é disponibilizado à população ainda é incoerente se comparado aos milhões desembolsados.  
 

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