OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Bicentenário da Revolução pernambucana de 1817!"

Procurador de Justiça aposentado

11 MAR 2017 Por 01h:00

O dia 6 de março do ano em curso marca o bicentenário de uma das páginas mais lindas esculpidas pela nossa história, a Revolução Pernambucana de 1817. Uma vontade enorme de vislumbrar os horizontes sempre generosos do civismo, do heroísmo e do patriotismo levou o povo pernambucano, liderado pelos seus mais inflamados heróis, a se levantar contra a Coroa Portuguesa. Era o pré-anúncio da nossa tão sonhada emancipação política.  Pe. João Ribeiro, Domingos José Martins, Gervásio Pires, Pe. Roma, Cruz Cabujá, entre outros tantos líderes que tombaram nos campos de combate, deixaram um exemplo de como se construir efetivamente a grandeza da nação, tendo como respaldo o espírito público, a decência e a vontade de construir uma pátria livre, soberana e democrática.  

A luta que encetaram contra um império foi dramática. O território pernambucano resultou encharcado do sangue dos seus filhos mais ilustres. Eles não se intimidaram diante da supremacia das forças opositoras.
 Estavam animados pelos ideais da democracia. Nasciam, naquela oportunidade, as raízes mais fortes a animar um povo em busca da felicidade que precisava ser alcançada. O raciocínio era lógico, coerente, racional, dogmático. Entre o final do século 18 e o início do século 19, o desejo de liberdade que eclodia em vários lugares do mundo  também agitava os ânimos dos pernambucanos. Não era possível que aquela riqueza de propósitos exteriorizados em causas nobres pudesse ser privilégio apenas do continente europeu e dos seus povos. Não, isso não era possível. Os pernambucanos acreditaram naquelas mensagens de fé democrática sustentadas por Voltaire, Montesquieu e Rosseau, os grandes pensadores e filósofos que mudaram a conjuntura política do mundo civilizado, à época. Deram um basta aos governos autoritários para protagonizarem o surgimento das liberdades civis, políticas e democráticas. 

A nossa história é rica de feitos heroicos. Todos eles vêm encharcados de uma bravura indomável construída pelos nossos nacionais em todos os quadrantes do nosso território. Um pouco mais à frente a Câmara dos Deputados, vai homenagear os 150 anos da Retirada da Laguna. O anúncio foi feito da tribuna da Câmara Federal pelo deputado Mandetta. O nosso estado será o grande anfitrião daquele encontro. Ele já é por si só enriquecedor porque mostrará a valentia dos nossos soldados num dos mais dramáticos episódios que as grandes guerras já conseguiram produzir. 

Essas ações, entre outras tantas que podemos acompanhar, é que nos animam a acreditar no futuro radiante que está reservado ao nosso país. Esses fatos não podem resultar esquecidos. Os seus heróis precisam ser mais do que exaltados e lembrados no calor das praças públicas, nos edifícios públicos, nas obras literárias, como forma de mostrar aos nossos vindouros a grandeza da nossa pátria. Por isso, não posso ser pessimista com relação ao futuro do nosso país. 

O mar de lama que nos maltrata precisa encontrar, nesses fatos históricos, o equilíbrio e a sensatez dos nossos homens públicos para o fomento de políticas públicas  que melhorem substancialmente a vida da nossa população sofrida. Por isso, não posso ser pessimista. Não tenho o direito de ser pessimista. Não é essa a mensagem que os nossos leitores gostariam de ler, acompanhar, oferecer críticas, apresentar sugestões, quando esses fatos são comemorados. 

O Brasil é muito maior do que qualquer intempérie. Os nossos heróis serão os nossos mais sagrados luminares a indicar o caminho da moralidade, da decência e da honestidade para conduzir com segurança os nossos destinos de grandeza e prosperidade, acompanhadas sempre da salutar justiça social. 

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