Opinião

Ângela Maria Costa:
É proibido punir na escola?!

Ângela Maria Costa é professora e doutora em Educação

14 JUN 2017 Por 02h:00

Temos assistido um amplo debate entre educadores, legisladores, procuradores e a mídia. É proibido punir o aluno na escola? Se sujar e quebrar ele deve limpar e ou consertar? A família tem que ser responsabilizada pela “falta” de educação que seu filho (a) leva para dentro do espaço escolar?! O certo é que a escola e os professores perderam a autoridade e o respeito de toda a sociedade. Como chegamos a esse ponto? Tentaremos contribuir para o debate fazendo essas reflexões, apesar de saber que falar de autoridade é tão perigoso como sempre foi, assim como falar de educação é tão complexo como sempre foi.

É consenso entre família e escola, que as finalidades básicas da educação de crianças e adolescentes são: o desenvolvimento intelectual (não significa ler, escrever e contar), a maturidade e a preparação para uma vida produtiva, isto é, fazê-los bem-sucedidos no futuro, pelo menos melhor que nós.  

No entanto, é preciso saber que só isso não os levará a felicidade almejada, porque o homem não é só, ele vive dentro de uma sociedade. Pertence a um grupo. Não somos bandos de javalis...de macacos...de elefantes. Existem atributos universais e necessários - independentes da cultura -   que precisam ser aprendidos, tais como: honestidade, lealdade, responsabilidade, amor à verdade, consideração e respeito aos outros, justiça, coragem, humildade, entre outros. E esses atributos, dependem de contínua educação da família e da escola, que ao estabelecer os limites, por meio das renúncias de satisfações (vontades), constroem as regras próprias de convívio. 

Atualmente assistimos a dificuldade que a família tem em exercer sua autoridade, até pelas condições em que foram preparados nas últimas gerações. A educação, que durante séculos, se fundamentava no regime patriarcal, sofre um abalo com a industrialização e a independência da mulher, que sai da passividade e submissão para trabalhar fora de casa. Somado a essa transformação social, o receio dos pais, criados no sistema patriarcal, firmados por séculos de experiência, leva-os a não utilizar da mesma autoridade com seus filhos. Afrouxaram as rédeas!  Surge aí a geração do “pode tudo!”

Sem dúvida, é preciso buscar o elo perdido, ampliando esse debate, em todas as instâncias educativas. Punir ou não punir...corrigir ou não corrigir...resgatar ou não a disciplina e a autoridade na escola?! 
Punir pode significar: repreender, reprimir, castigar, penalizar, mas também corrigir. Autoridade não se define, ela é uma finalidade em si e a educação tem como uma de suas características a disciplina. A disciplina não é uma finalidade, mas uma ferramenta, uma técnica, um método, que pode ser definido, limitado e alterado à medida que as condições de autoridade e liberdade assim o exigirem. Assim, a disciplina está à serviço da autoridade e da liberdade.

Desse modo, penso que “punição”, na escola, não é a mesma utilizada pelo delegado de polícia. É tão somente, uma medida para corrigir os alunos dos atos que infringem a ordem estabelecida pela própria sociedade, e que a família abriu mão. CORRIGIR o aluno que não sabe se portar educadamente no ambiente escolar, não só é importante como também uma das formas de se educar para a vida.

Tolerância zero!
Quebrou, arruma! Riscou, limpa! 
Sem mais.

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