RIO-2016

Olimpíada do Rio fica sem versão oficial do custo total do evento

A última versão da Matriz de Responsabilidades aponta investimento de R$ 7,23 bilhões

15 JUN 2017 Por FOLHAPRESS 08h:31

A Olimpíada do Rio de Janeiro ficou sem uma versão oficial do custo total do evento. Ex-dirigentes da APO (Autoridade Pública Olímpica) não atualizaram dados do Plano de Políticas Públicas, um dos documentos oficiais para se chegar à conta.

O ex-diretor-executivo da entidade, Walter Silva Jr., disse que ficou decidido que o Plano de Políticas Públicas (referente a obras de infraestrutura prometidas ao COI mas sem relação direta com os Jogos, como a linha 4 do metrô) não seria atualizado.

"Por lei, a APO tinha a missão de consolidar a Matriz de Responsabilidades, com os projetos exclusivamente olímpicos", disse.

A última versão da Matriz de Responsabilidades, divulgada em audiência pública nesta quarta (14) aponta investimento de R$ 7,23 bilhões.

Para o Tribunal de Contas da União (TCU), entretanto, faltam informações essenciais no documento.
Somando dados dispersos, enviados à imprensa por governo municipal, estadual e federal, o gasto total dos Jogos foi de R$ 42,8 bilhões.

A conta considera o Plano de Políticas Públicas, a Matriz de Responsabilidade e o comitê organizador.

O TCU, contudo, indica que gastos de mais de R$ 4 bilhões não foram considerados nos relatórios oficiais.
Entre eles está inclusive o custeio da APO e da EOM (Empresa Olímpica Municipal), órgãos criados para a organização dos Jogos. A Matriz de Responsabilidade também não descreve, por exemplo, o custo da construção do pavilhão 6 do Riocentro, usado como arena do boxe.

Também não há no balanço a verba gasta com segurança nem benefícios fiscais.

Na audiência desta quarta, Walter Silva Jr. disse ainda que teve de fazer buscas no site da de dados

Prefeitura do Rio para levantar os custos de algumas arenas. Antes, os dados eram enviados por cada governo (municipal, estadual e federal) para a entidade.

O cenário é diferente do de antes dos Jogos. Em 2014, o ex-presidente da APO general Fernando Azevedo e Silva apresentou a primeira versão dos documentos ao lado de representantes das três esferas governamentais.

A falta de transparência foi uma marca dos Jogos do Rio, de acordo com estudo do Instituto Ethos revelado pela Folha de S. Paulo há um ano.

"Não consigo um orçamento consolidado dos Jogos porque preciso analisar cada contrato das secretarias municipais e somá-los", disse à época Paula Oda, coordenadora do projeto.

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