EPIDEMIA

Zika pode custar até US$ 18 bilhões para América Latina e Caribe

9 ABR 2017 Por BEM ESTAR 22h:00

A epidemia da zika custará de US$ 7 a 18 bilhões aos países da América Latina e do Caribe que foram afetados pelo vírus entre 2015 e 2017, conforme estimativas divulgadas nesta quinta-feira (6) pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Cruz Vermelha.

As organizações fizeram uma análise do impacto socioeconômico da zika e como a doença afetou e afetará o desenvolvimento humano da região, que prejudica especialmente as comunidades mais pobres.

"O vírus da zika terá um impacto significativo a curto e longo prazo nas esferas econômicas e sociais na América", afirma o comunicado conjunto da ONU e da Cruz Vermelha.

O relatório, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente (FICV), determina que o zika poderia levar ao aumento da desigualdades na região.

"Além das perdas tangíveis no PIB e das economias que dependem intensamente do turismo, e o peso que representa para os sistemas de saúde, as consequências em longo prazo do vírus da zika podem minar décadas de desenvolvimento social", afirma a diretora do Pnud na América Latina e no Caribe, Jessica Faieta.

O estudo tem foco especial em três países mais atingidos - Brasil, Colômbia e Suriname -, onde garante que as disparidades sociais que estas nações sofrem dificultaram a resposta ao vírus e a assistência aos grupos mais vulneráveis.

"Investir recursos na comunicação com as comunidades sobre a resposta ao zika pode levar a impulsionar a resiliência, reforçar a liderança e ajudar a reduzir o estigma", afirma, por sua vez, o diretor da FICV na América, Walter Cotte.

O Caribe, diz a pesquisa, é a área mais afetada pelo impacto do vírus, cinco vezes mais do que na América do Sul.

"Mais de 80% das perdas potenciais em três anos ocorrem devido à receita reduzida do turismo internacional, com o potencial de alcançar um total de US$ 9 bilhões em três anos, ou 0,06% do PIB anualmente", diz o comunicado da Cruz Vermelha e da ONU.

Embora o Brasil seja o país que mais terá gastos com o vírus em termos do montante total, as economias do Haiti e de Belize, dois dos países mais pobres da região, sofrerão também um efeito forte. O Haiti poderia perder até 1,13% de seu PIB e Belize reduziria 1,19% no caso de que serem registrados altos níveis de infecção.

A ONU e a Cruz Vermelha pedem um reforço nas preparações nacionais e regionais e das estratégias de resposta, que "devem incluir as comunidades".

"Como vimos recentemente com o zika e a febre amarela, as epidemias que se espalham por meio dos mosquitos podem se expandir rapidamente e os governos e as comunidades devem estar prontas para responder", assinalam as organizações.

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