OPERAÇÃO GREENFIELD

Empresário preso pela PF é solto depois
de prestar depoimento em MS

Suspeito foi ouvido na delegacia da PF e na Justiça Federal em Três Lagoas

8 MAR 2017 Por GLAUCEA VACCARI E GISELE MENDES, DE TRÊS LAGOAS 18h:48
Mário César foi solto depôs de prestar depoimento Mário César foi solto depôs de prestar depoimento

Empresário Mário Celso Lopes, preso em Andradina (SP) em cumprimento de mandado judicial, foi solto no fim da tarde de hoje, depois de prestar depoimento na Justiça Federal, em Três Lagoas. Ele é proprietário da Fazenda Boi Preto, em Ribas do Rio Pardo, foi preso no âmbito da operação Greenfield e estava na sede da Polícia Federal em Três Lagoas, onde também depôs.

Operação Greenfield investiga fraude em fundos de pensão com envolvimento de donos do Grupo J&F, que controla empresas como a Eldorado Brasil, com sede em Três Lagoas, e o frigorífico JBS, com unidades também em Mato Grosso do Sul.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Mário Celso é suspeito de fechar um contrato de R$ 190 milhões para mascarar o suborno a um empresário. O objetivo era impedir que esse empresário revelasse informações de interesse da investigação da polícia.

A polícia quer recolher provas de que os envolvidos cometeram fraudes em Fundos de Pensão que realizaram investimentos no Fundo de Investimentos em Participação (FIP) Florestal. O FIP teria recebido um aporte de cerca de R$ 550 milhões dos fundos de pensão Petros e Funcef.

Polícia Federal investiga que essa “compra de silêncio” acontecia através de contratos de fornecimento de massa florestal de eucalipto para produção de celulose.

Todos os mandados cumpridos hoje foram expedidos pelo juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal. Mais detalhes sobre a operação não serão revelados em razão de sigilo judicial.

ENVOLVIMENTO

Mário Celso Lopes é sócio da Eucalipto Brasil e do FIP Florestal, parceira da J&F. Ele teve pedido de prisão temporária - por cinco dias - decretado contra ele. Para justificar o pedido de prisão de Mário Celso, o Ministério Público Federal relatou à Justiça a descoberta de movimentações recentes como a assinatura de contrato cujo objetivo seria o de dificultar as investigações. 

Em novembro do ano passado, após a deflagração da Operação Greenfield, a Eldorado firmou um contrato de R$ 190 milhões com a empresa Eucalipto Brasil S/A.

“Chamou a atenção dos investigadores o fato de, menos de um mês após o fechamento do negócio, ter ocorrido a retirada de uma cláusula do contrato. A alteração beneficiou Mário Celso em detrimento da Eldorado e dos sócios minoritários: Funcef e Petros. O Ministério Público Federal suspeita que a medida tenha sido uma articulação com o propósito de comprar o silêncio de Mário, já que este conhecia as irregularidades envolvendo o recebimento dos recursos dos fundos de pensão”, diz nota da Procuradoria.

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